Leucemia Aguda: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Por RAQUEL  LUIZA,


 

A leucemia aguda é um tipo de câncer do sangue que se origina nas células-tronco da medula óssea, responsáveis pela produção dos glóbulos brancos (leucócitos). Nessa doença, a medula passa a liberar células imaturas — chamadas blastos — que se acumulam no sangue e substituem as células normais.

Esse processo leva à queda de hemácias, leucócitos e plaquetas, causando sintomas graves e de rápida evolução. A leucemia aguda pode ser classificada em dois tipos principais: mieloide e linfoide.


Tipos de Leucemia Aguda

  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): afeta células da linhagem mieloide, responsáveis por originar granulócitos. É mais comum em adultos.
  • Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA): atinge as células da linhagem linfóide, precursoras dos linfócitos. É mais frequente em crianças e jovens.

Ambas evoluem rapidamente e exigem tratamento imediato.


Causas e Fatores de Risco

A leucemia aguda resulta de mutações genéticas que afetam a medula óssea. Entre os fatores de risco estão:

  • Alterações em genes como FLT-3, NPM1, IDH e PML-RARA (na LMA).
  • Exposição à radiação e produtos químicos tóxicos.
  • Uso prévio de quimioterapia ou imunossupressores.
  • Doenças genéticas (como a síndrome de Down).
  • Infecção por retrovírus (como o HTLV-1, associado à leucemia de células T).

Sintomas

A leucemia aguda se desenvolve rapidamente e pode apresentar:

  • Fraqueza intensa, cansaço e palidez.
  • Febre, suores noturnos e perda de peso inexplicável.
  • Sangramentos frequentes (nariz, gengiva, fluxo menstrual intenso).
  • Manchas roxas na pele (petequias ou equimoses).
  • Infecções recorrentes devido à baixa imunidade.
  • Dor nos ossos e aumento do fígado, baço e gânglios linfáticos.
  • Em alguns casos, comprometimento do sistema nervoso central (cefaleia, vômitos, meningite).

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo hematologista por meio de:

  • Hemograma completo: mostra leucocitose, anemia, plaquetopenia e presença de blastos.
  • Mielograma: confirma infiltração por blastos acima de 20%.
  • Exames bioquímicos: ácido úrico e LDH elevados.
  • Estudos moleculares e genéticos: identificam mutações específicas que orientam o tratamento.
  • Coagulograma: avalia distúrbios da coagulação associados.

Tratamento

O objetivo do tratamento é alcançar a remissão completa. Ele é dividido em fases:

  1. Indução: uso intensivo de quimioterapia para eliminar os blastos.
  2. Consolidação e manutenção: tratamento prolongado para evitar recidivas.

As opções incluem:

  • Quimioterapia combinada, em ambiente hospitalar.
  • Transfusões de sangue e plaquetas, para corrigir anemia e sangramentos.
  • Antibióticos e antifúngicos, para prevenir infecções.
  • Transplante de medula óssea, em casos selecionados, especialmente após recidiva.

O prognóstico depende do tipo de leucemia, idade do paciente, mutações genéticas envolvidas e resposta ao tratamento inicial.


Conclusão

A leucemia aguda é uma doença grave, mas o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento aumentam consideravelmente as chances de remissão e sobrevivência. Consultar um médico diante de sinais como cansaço extremo, febre persistente e sangramentos inexplicáveis é fundamental.


Referências

  • Döhner H, Weisdorf DJ, Bloomfield CD. Acute Myeloid Leukemia. N Engl J Med. 2015;373(12):1136-1152.
  • Hunger SP, Mullighan CG. Acute Lymphoblastic Leukemia in Children. N Engl J Med. 2015;373(16):1541-1552.
  • National Cancer Institute (NCI). Acute Myeloid Leukemia (AML) and Acute Lymphoblastic Leukemia (ALL) — Patient Information. Disponível em: https://www.cancer.gov.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues. WHO, 2017.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *