Por RAQUEL LUIZA,

A Doença Renal Policística (DRP) é uma enfermidade hereditária caracterizada pela formação de múltiplos cistos cheios de líquido nos rins, que aumentam progressivamente de tamanho e comprometem sua função. Esses cistos podem causar aumento do volume renal, dor e, em estágios mais avançados, levar à insuficiência renal crônica.
Trata-se de uma das doenças genéticas mais comuns do trato urinário e pode ser transmitida tanto de forma autossômica dominante quanto autossômica recessiva, sendo a forma dominante a mais frequente em adultos.
Causas
A DRP ocorre devido a mutações genéticas que afetam proteínas responsáveis pelo funcionamento adequado dos túbulos renais.
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Forma autossômica dominante: geralmente diagnosticada na vida adulta, está associada a mutações nos genes PKD1 (mais comum) e PKD2.
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Forma autossômica recessiva: mais rara, manifesta-se ainda na infância e costuma ser mais grave.
A presença de casos familiares aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
Sintomas
Os sinais e sintomas da DRP variam conforme o estágio da doença e o número de cistos presentes. Os mais comuns incluem:
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Dor abdominal ou lombar persistente.
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Aumento do volume abdominal devido ao crescimento dos rins.
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Hipertensão arterial de difícil controle.
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Presença de sangue na urina (hematúria).
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Infecções urinárias recorrentes.
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Formação de cálculos renais.
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Insuficiência renal crônica em estágios avançados.
É importante destacar que, em muitos casos, os pacientes permanecem assintomáticos até a fase adulta, quando a função renal já está comprometida.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito por meio de:
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Histórico familiar da doença.
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Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que permitem identificar os cistos.
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Exames laboratoriais, incluindo função renal (ureia e creatinina) e urina.
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Testes genéticos, quando necessário, para confirmar mutações nos genes associados à DRP.
Tratamento
Atualmente não existe cura para a Doença Renal Policística, mas há medidas que podem retardar a progressão e controlar os sintomas:
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Controle rigoroso da pressão arterial, geralmente com uso de inibidores da ECA ou bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA).
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Hidratação adequada, para reduzir o risco de formação de cálculos renais.
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Tratamento de infecções urinárias com antibióticos adequados.
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Uso de analgésicos para controle da dor.
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Terapia com tolvaptana, em alguns casos, que pode reduzir o crescimento dos cistos e retardar a perda da função renal.
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Diálise ou transplante renal em pacientes com insuficiência renal terminal.
Conclusão
A Doença Renal Policística é uma condição genética que exige acompanhamento médico contínuo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e retardar a evolução para insuficiência renal.
Referência
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Bennett WM, M.D. Autosomal Dominant Polycystic Kidney Disease: 2009 Update for Internists. Korean J Intern Med. 2009; 24:165-168.

