OMS encerra emergência de saúde global devido à Covid-19

Por , RAQUEL LUIZA,


Executivos da entidade fizeram questão de ressaltar que a fase emergencial da pandemia acabou, mas não representa, o fim da pandemia de covid 19.

OMS chama especialistas a ingressarem em grupo consultivo científico para  origens de novos patógenos - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira (5) o fim da emergência de saúde global causada pela Covid-19. A anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa com a presença dos principais executivos da entidade, em sua sede em Genebra, na Suíça.

A decisão, acompanha a recomendação do Comitê de Emergência sobre a doença, elaborada após a 15ª reunião do grupo, na quinta-feira (4). Durante a sessão deliberativa, os membros do comitê destacaram a tendência decrescente nas mortes por Covid-19, o declínio nas hospitalizações e internações em unidades de terapia intensiva relacionadas à infecção e os altos níveis de imunidade da população ao SARS-CoV-2.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que acatou a recomendação, que tem como base o acompanhamento do cenário epidemiológico da doença. “Por mais de um ano, a pandemia está em tendência de queda, com aumento da imunidade da população por vacinação e infecção, diminuição da mortalidade e diminuição da pressão sobre os sistemas de saúde. Essa tendência permitiu que a maioria dos países voltasse à vida como a conhecíamos antes da Covid-19”, afirmou Adhanom.

O encerramento da emergência de saúde pública não representa, no entanto, o fim da pandemia de Covid-19 — mas é um grande passo nesse sentido. A OMS declarou que a emergência causada pelo coronavírus atingiu o patamar de uma pandemia no dia 11 de março de 2020.

“No entanto, isso não significa que a Covid-19 acabou como uma ameaça à saúde global. Na semana passada, a Covid-19 tirou uma vida a cada três minutos — e essas são apenas as mortes que conhecemos. Enquanto falamos, milhares de pessoas em todo o mundo estão lutando por suas vidas em unidades de terapia intensiva. E outros milhões continuam a viver com os efeitos debilitantes da condição pós-Covid-19”, disse o diretor-geral da OMS.

A OMS destaca que, embora a avaliação de risco global permaneça alta, há evidências de redução dos riscos à saúde impulsionados principalmente pela alta imunidade da população devido à infecção natural, vacinação ou uma combinação das duas. Além disso, as linhagens da Ômicron em circulação apresentam uma capacidade de infecção sem grandes alterações e há também um melhor gerenciamento dos casos clínicos.

Juntos, esses fatores contribuíram para um declínio global significativo no número semanal de mortes, hospitalizações e admissões em unidades de terapia intensiva relacionadas à doença desde o início da pandemia. Embora o SARS-CoV-2 continue a evoluir, as variantes atualmente circulantes não parecem estar associadas ao aumento da gravidade, segundo a OMS.

O Diretor-Geral da OMS convocará um Comitê de Revisão do Regulamento Sanitário Internacional para aconselhar sobre as recomendações permanentes para o gerenciamento de longo prazo da pandemia, levando em consideração o Plano Estratégico de Preparação e Resposta à Covid-19 2023-2025.

 

Cenário epidemiológico

Globalmente, quase 2,8 milhões de novos casos e mais de 17.000 mortes foram relatados nos últimos 28 dias avaliados pela OMS, que compreende o período de 3 a 30 de abril. Os índices representam uma queda de 17% e 30%, respectivamente, em comparação com os 28 dias anteriores (6 de março a 2 de abril).

No Brasil, os dados semanais mais recentes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) apontam que entre os dias 23 e 29 de abril foram registrados 38.553 casos e 339 óbitos pela doença no país.

O quadro mostra aumentos nos casos relatados e mortes observadas nas regiões do Sudeste asiático, Mediterrâneo oriental e Pacífico ocidental, e reduções em outras regiões do mundo. Até o dia 30 de abril, mais de 765 milhões de casos confirmados e mais de 6,9 milhões de mortes foram relatados globalmente.

No nível regional, o número de novos casos notificados em 28 dias aumentou em três das seis regiões avaliadas pela OMS: a região do Mediterrâneo oriental (+8%), do Pacífico ocidental (+15%) e do Sudeste asiático (+454%); enquanto os casos diminuíram na região africana (-49%), europeia (-37%) e das Américas (-34%).

O número de novas mortes relatadas em 28 dias diminuiu em quatro regiões: a região do Pacífico ocidental (-56%), a europeia (-44%), a região africana (-33%) e das Américas (-21%); enquanto as mortes aumentaram no Mediterrâneo oriental (+61%) e no Sudeste asiático (+317%).

A nível de país, o maior número de novos casos de 28 dias foi relatado nos Estados Unidos (392.480 novos casos; -37%), Coreia do Sul (330.509; +22%), Japão (251.158; +24%), Índia (222.784; +540%) e França (197.190; +2%). Os números mais altos de novas mortes em 28 dias foram relatados nos Estados Unidos (5.263 novas mortes; -29%), Brasil (1.255; +30%), Rússia (993; -2%), França (871; +39%) e Irã (762; +82%).

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