Pancreatite: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Por Rquel luiza,


Estou com Pancreatite Aguda e agora?? - Gastroenterologista e Endoscopista  em Brasília | Dr. Wandré Ponce de Leon

A pancreatite é uma inflamação grave do pâncreas que ocorre quando as enzimas digestivas produzidas pelo próprio órgão passam a agir dentro dele, provocando destruição progressiva do tecido pancreático. Essa condição leva ao surgimento de sintomas como dor abdominal intensa, náuseas, vômitos, febre e queda da pressão arterial.

Na maioria dos casos, a pancreatite está relacionada à obstrução do ducto biliar por cálculos (litíase biliar) ou ao alcoolismo. Outras causas possíveis incluem microlitíase, uso de medicamentos e infecções virais.


Tipos de Pancreatite

  • Pancreatite aguda: caracteriza-se por dor abdominal súbita e intensa. Na maioria dos casos é leve, mas em alguns pode evoluir com falência de órgãos e risco de morte. O tratamento precoce é fundamental para reduzir complicações e evitar recorrência.

  • Pancreatite crônica: resulta da inflamação persistente e progressiva do pâncreas, levando à destruição estrutural do órgão e à insuficiência pancreática. Exige acompanhamento contínuo para controle da dor, prevenção de complicações e melhora da qualidade de vida.


Sintomas da Pancreatite

Os sintomas aparecem quando as enzimas digestivas são ativadas dentro do próprio pâncreas, causando autodestruição. Os principais sinais incluem:

  • Dor abdominal superior, que pode irradiar para as costas e piora após as refeições.

  • Náuseas e vômitos.

  • Inchaço e sensibilidade abdominal.

  • Febre e taquicardia.

  • Fezes claras, oleosas ou amareladas (esteatorreia).

  • Perda de peso não intencional e desnutrição.

Nos casos graves, pode haver insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou choque.


Diagnóstico

O diagnóstico da pancreatite envolve:

  • História clínica e exame físico.

  • Exames laboratoriais, com destaque para as enzimas pancreáticas:

    • Amilase: aumenta entre 2 e 12 horas e normaliza em 3 a 5 dias nos casos de boa evolução.

    • Lipase: mais específica, permanece elevada por mais tempo.

  • Exames de imagem: ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e CPRE.

  • Classificação de Balthazar (TC): avalia gravidade; graus D e E indicam maior risco de necrose pancreática.


Tratamento

O tratamento varia conforme a gravidade:

  • Fase inicial: jejum absoluto, hidratação venosa e analgésicos.

  • Pancreatite litiásica grave: pode ser indicada papilotomia endoscópica nas primeiras 72 horas.

  • Complicações: drenagem cirúrgica ou guiada por TC de coleções/abscessos e antibioticoterapia.

  • Pancreatite crônica: manejo da dor, suporte nutricional e controle das complicações associadas.


Conclusão

A pancreatite é uma doença potencialmente grave que requer diagnóstico precoce e tratamento adequado. O acompanhamento médico contínuo é fundamental para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.


Referências

  • Banks PA, Bollen TL, Dervenis C, et al. Classification of acute pancreatitis — 2012: Revision of the Atlanta classification and definitions by international consensus. Gut. 2013;62(1):102-111.

  • Crockett SD, Wani S, Gardner TB, et al. American Gastroenterological Association Institute Guideline on Initial Management of Acute Pancreatitis. Gastroenterology. 2018;154(4):1096-1101.

  • Tenner S, Baillie J, DeWitt J, Vege SS. American College of Gastroenterology Guideline: Management of Acute Pancreatitis. Am J Gastroenterol. 2013;108(9):1400-1415.

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Digestive Diseases – Pancreatitis. Disponível em: https://www.who.int.

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