Por RAQUEL LUIZA,


 

ESPINHA BÍFIDA

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Do latim spina bifida (“espinha dividida”), a espinha bífida é uma malformação congênita relativamente comum, caracterizada pelo fechamento incompleto do tubo neural durante as primeiras semanas do desenvolvimento embrionário.

Trata-se de uma alteração grave que compromete a formação adequada da coluna vertebral e, em alguns casos, da medula espinhal. Essa falha ocorre geralmente entre a 3ª e a 4ª semana de gestação, período crítico da neurulação.


Causas e Fatores de Risco

A espinha bífida pode ter origem multifatorial, incluindo:

  • Predisposição genética;
  • Deficiência materna de ácido fólico;
  • Diabetes materna;
  • Obesidade;
  • Uso de determinados medicamentos durante a gestação (como alguns anticonvulsivantes).

Entre esses fatores, a deficiência de ácido fólico é um dos principais fatores preveníveis associados ao defeito do tubo neural.


Classificação

A espinha bífida apresenta diferentes formas clínicas:

🔹 Espinha Bífida Oculta

É a forma mais leve e comum.
Há uma falha óssea nas vértebras, mas a medula espinhal permanece intacta.

  • Geralmente assintomática;
  • Pode apresentar sinais cutâneos locais (mancha, tufo de pelos, depressão na pele);
  • Frequentemente diagnosticada como achado incidental em exames de imagem.

🔹 Meningocele

Forma cística na qual há protrusão das meninges através da falha vertebral, formando uma bolsa contendo líquido cefalorraquidiano.

  • A medula espinhal permanece em posição normal;
  • Pode haver poucos ou nenhum déficit neurológico.

🔹 Mielomeningocele

É a forma mais grave e mais comum das formas abertas.

  • Protrusão das meninges e da medula espinhal;
  • Presença de lesão cística visível ao nascimento;
  • Alto risco de comprometimento neurológico.

Pode estar associada a:

  • Paralisia dos membros inferiores;
  • Deformidades ortopédicas (como pés tortos);
  • Incontinência urinária e fecal;
  • Disfunção esfincteriana;
  • Hidrocefalia associada.

🔹 Raquisquise (Rachischisis)

É a forma mais grave.
O canal vertebral permanece completamente aberto, com exposição direta do tecido neural ao meio externo.


Sintomatologia

Os sintomas variam conforme a gravidade da malformação.

Nas formas leves (espinha bífida oculta), geralmente não há manifestações clínicas.

Nas formas mais graves, podem ocorrer:

  • Fraqueza ou paralisia dos membros inferiores;
  • Alterações da sensibilidade;
  • Deformidades musculoesqueléticas;
  • Incontinência urinária e fecal;
  • Atraso no desenvolvimento motor;
  • Hidrocefalia associada.

Diagnóstico

🔎 Diagnóstico Pré-natal

  • Ultrassonografia obstétrica (entre 16 e 18 semanas de gestação);
  • Dosagem materna de alfafetoproteína (AFP);
  • Ressonância magnética fetal em casos selecionados.

🔎 Diagnóstico Pós-natal

Nas formas abertas, o diagnóstico é clínico ao nascimento.

Exames complementares incluem:

  • Tomografia computadorizada (TC);
  • Ressonância magnética (RM);
  • Radiografia simples da coluna (especialmente nas formas ocultas).

Tratamento

O tratamento depende da forma e da gravidade da malformação.

  • Correção cirúrgica precoce (preferencialmente nas primeiras 24–48 horas de vida nas formas abertas);
  • Tratamento da hidrocefalia com derivação ventrículo-peritoneal quando presente;
  • Acompanhamento multidisciplinar (neurologia, neurocirurgia, ortopedia, urologia e fisioterapia);
  • Reabilitação motora.

Prevenção

A suplementação de ácido fólico é a principal medida preventiva.

Recomenda-se:

  • 400 mcg/dia para mulheres em idade fértil;
  • Início pelo menos 1 mês antes da concepção e manutenção durante o primeiro trimestre;
  • Doses maiores podem ser indicadas para gestantes de alto risco, sob orientação médica.

A fortificação alimentar com ácido fólico também contribuiu significativamente para a redução da incidência de defeitos do tubo neural em vários países.


⚠️ Mensagem de Alerta

A espinha bífida é uma condição que pode gerar complicações neurológicas permanentes se não houver diagnóstico e intervenção precoces.

O acompanhamento pré-natal adequado é essencial para a detecção precoce e para a orientação terapêutica adequada. Após o nascimento, crianças com suspeita de malformações da coluna devem ser avaliadas imediatamente por profissionais especializados.

Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento. Em caso de dúvidas, sintomas ou planejamento gestacional, procure um médico obstetra, neurologista ou neurocirurgião.

A prevenção começa antes mesmo da gestação.


Referências

  1. Mitchell, L. E. (2005). Epidemiology of neural tube defects. American Journal of Medical Genetics Part C, 135C(1), 88–94.
  2. Greene, N. D. E., & Copp, A. J. (2014). Neural tube defects. Annual Review of Neuroscience, 37, 221–242.
  3. Blencowe, H., et al. (2018). Estimates of global and regional prevalence of neural tube defects. The Lancet Global Health, 6(10), e1100–e1107.
  4. Adzick, N. S. (2012). Fetal surgery for myelomeningocele. The New England Journal of Medicine, 364, 993–1004.

 

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