Por, RAQUEL LUIZA
Saiba reconhecer os principais sinais do AVC isquêmico, como é feito o diagnóstico e por que o atendimento rápido pode ser decisivo para o tratamento e a recuperação.
Fraqueza súbita, alteração da fala, dormência e assimetria facial estão entre os sinais de alerta que exigem atendimento de emergência
O acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico é uma emergência neurológica provocada pela redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro. Quando um vaso cerebral é obstruído, as células nervosas daquela área deixam de receber adequadamente oxigênio e nutrientes, podendo ocorrer lesão cerebral.
A rapidez no reconhecimento dos sintomas e no atendimento é fundamental. No AVC, tempo é cérebro: quanto mais cedo o paciente for avaliado e, quando indicado, receber tratamento de reperfusão, maiores podem ser as possibilidades de preservar tecido cerebral e reduzir sequelas. Diretrizes recentes da American Heart Association/American Stroke Association reforçam que o tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível nos pacientes elegíveis.
Quem apresenta maior risco?
O AVC isquêmico pode ocorrer em diferentes faixas etárias, mas alguns fatores aumentam significativamente o risco. Entre eles estão:
- hipertensão arterial;
- idade avançada;
- diabetes mellitus;
- alterações do colesterol;
- aterosclerose;
- doenças cardiovasculares;
- fibrilação atrial;
- estenose das artérias carótidas;
- alguns distúrbios da coagulação;
- tabagismo;
- consumo excessivo de álcool.
A identificação e o controle desses fatores são importantes tanto para a prevenção do primeiro AVC quanto para diminuir o risco de novos eventos.
Quais são os principais sinais do AVC?
O quadro geralmente começa de maneira súbita e pode produzir um déficit neurológico focal. Os sinais dependem da região cerebral atingida.
Entre as manifestações mais importantes estão:
Fraqueza ou perda de força: principalmente em um lado do corpo.
Alteração da face: um lado da boca pode ficar diferente ou apresentar dificuldade de movimentação.
Alteração da fala: dificuldade para falar, compreender ou articular as palavras.
Dormência ou formigamento: especialmente em um lado do corpo.
Alterações visuais: podem ocorrer dependendo da área cerebral afetada.
Alteração da consciência: em alguns casos, o paciente pode apresentar rebaixamento do nível de consciência.
Também podem ocorrer confusão e convulsões em determinadas situações.
Um ponto importante é que nem todo AVC apresenta exatamente os mesmos sintomas. A manifestação depende do vaso e da região cerebral comprometida.
Por que o lado do corpo afetado pode ajudar na localização?
O cérebro apresenta uma organização funcional que ajuda a explicar alguns sinais.
Por exemplo, uma lesão em determinadas áreas do hemisfério cerebral esquerdo pode provocar alterações no lado direito do corpo e, quando são comprometidas regiões relacionadas à linguagem, também pode ocorrer afasia.
No comprometimento do hemisfério direito, podem surgir alterações no lado esquerdo do corpo e fenômenos como negligência espacial, especialmente quando determinadas regiões do cérebro são atingidas.
Essas características ajudam a equipe médica durante o exame neurológico e na tentativa de localizar a área afetada.
Como é feito o diagnóstico?
Diante da suspeita de AVC, a avaliação deve ser realizada imediatamente em um serviço de emergência.
Um dos exames fundamentais é a tomografia computadorizada (TC) de crânio, geralmente realizada inicialmente para verificar se existe hemorragia e auxiliar na diferenciação entre AVC isquêmico e hemorrágico.
Dependendo do caso, outros exames podem ser necessários, como angiotomografia, ressonância magnética e estudos dos vasos sanguíneos.
A glicemia também deve ser verificada, porque alterações importantes da glicose podem produzir manifestações neurológicas semelhantes às de um AVC.
O diagnóstico não deve ser atrasado desnecessariamente enquanto se aguardam exames complementares que não sejam essenciais para a decisão imediata. Protocolos do Ministério da Saúde também destacam a necessidade de avaliação rápida e encaminhamento para serviços preparados para atendimento do AVC.
O relógio é um dos principais aliados do paciente
Uma das informações mais importantes na chegada ao hospital é saber quando os sintomas começaram ou quando o paciente foi visto pela última vez sem sintomas.
Isso acontece porque algumas terapias de reperfusão dependem do tempo e de critérios clínicos e radiológicos específicos.
Para pacientes adultos elegíveis, as diretrizes atuais recomendam trombólise intravenosa dentro da janela convencional de até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas. As recomendações atuais também contemplam alteplase e tenecteplase em determinadas situações.
Além disso, pacientes selecionados podem ser candidatos a trombectomia endovascular, especialmente quando existe oclusão de um grande vaso. Em situações específicas, esse tratamento pode ser realizado mesmo além da janela inicial, utilizando critérios clínicos e de imagem para selecionar os pacientes.
Por isso, não se deve esperar os sintomas melhorarem espontaneamente para procurar atendimento.
O que fazer diante de uma suspeita de AVC?
Ao perceber sinais neurológicos súbitos, a orientação é procurar imediatamente atendimento de emergência.
É importante:
- observar e anotar o horário em que os sintomas começaram;
- informar à equipe quando a pessoa foi vista pela última vez sem alterações, principalmente se os sintomas foram percebidos ao acordar;
- procurar atendimento hospitalar rapidamente;
- informar à equipe quais medicamentos a pessoa utiliza e seus antecedentes;
- não tentar diagnosticar o problema em casa.
O Ministério da Saúde recomenda que pacientes com suspeita de AVC agudo sejam encaminhados rapidamente para atendimento hospitalar adequado.
Prevenção continua sendo fundamental
Embora o AVC possa acontecer de forma inesperada, uma parcela importante dos casos está relacionada a fatores de risco modificáveis.
O acompanhamento da pressão arterial, controle do diabetes e do colesterol, abandono do tabagismo, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e tratamento adequado das doenças cardiovasculares são medidas importantes para reduzir o risco.
Em resumo
AVC isquêmico = obstrução de um vaso cerebral → redução do fluxo sanguíneo → sofrimento e possível lesão dos neurônios.
Sinais de alerta: fraqueza súbita, alteração da fala, assimetria facial, dormência, alteração visual, confusão ou outros déficits neurológicos de início repentino.
Conduta principal: reconhecer rapidamente, registrar o horário de início e buscar atendimento de emergência.
Quanto mais rápido o paciente elegível for avaliado e tratado, maiores são as possibilidades de um melhor desfecho.
Fontes
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do AVC Isquêmico Agudo; American Heart Association/American Stroke Association — diretriz de 2026 para manejo precoce do AVC isquêmico.
Protocolo do Ministério da Saúde sobre AVC isquêmico agudo
Diretriz AHA/ASA 2026 para AVC isquêmico agudo
